domingo, outubro 25, 2009

Dois dedos de poeira

Ah!,
Vai falar
Que você não se lembra:

Dos vaga-lumes no alpendre
Da roxinha panhada na vara
Da bota em fuga
Da jibóia no pasto
Dos sapos na escada
Da chuva lá fora.

Do sono...
que chega logo após o feijão
e as passadas,.. de fio dental
nos dentes dela pela casa.

Ah!,
Sem falar:
No som do motor
Do "Sonhôzin" e sua lanterna
Do caminhão "leitêro" atolado
Do novo ninho de galinha
Dos ovos azuis
Do mamão macho
Dos espinhos ardidos
na agulha do dedos.

E o córrego...
Ahh, como era "baum"
Passar com a família dentro daquela água fria
Faltando tão pouco pra chegar
Faltando tão pouco pra atolar.

Ahhh,
E o chuveiro de uma gota só?
Aquela bucha com sementes
A briga pelo pescoço, moela, coração
O calderão de goibada
A porteira emperrada
A volta do meu avô
da vendinha da esquina
com a sacola cheia de "mineirinhos".

Dos tucanos...
na janela da cozinha, lembra?
Que vontade que dá
De ser um tucano daqueles
Num pomar como aquele
Em dias como estes.

(Para minha mãe, Dona Ivone)

2 comentários:

Tiago Moralles disse...

Fechou com chave de ouro.
Bem bom.

Cynthia Lopes disse...

Vai falar que cada um de nós não se lembra de algo assim? Lindo, Luis.
bjs